terça-feira, 22 de janeiro de 2013

O Pastor Deve Ser Sustentado Pela Igreja?



Hoje eu li um artigo que tinha como título "É lícito um pastor ganhar salário?", do site:http://www.pulpitocristao.com/2010/01/e-licito-o-pastor-ganhar-salario/, e pra minha surpresa, eu li cada aberração nos comentários que me levou a escrever este artigo que segue abaixo.

É lamentável ver tanta gente expondo as suas opiniões sem fundamento bíblico, sem coerência, sem justiça e sem amor.
O que importa não é o que pensamos sobre o assunto, e sim o que a Bíblia diz.
Quanto gente que se diz crente colocando opiniões totalmente diferentes do que a Bíblia ensina. 
Que vergonha! Quanta ignorância! Está na hora do povo ler e estudar melhor a Bíblia.

A pergunta é: O que a Escritura diz sobre o sustendo do pastor? Essa é a pergunta certa.

Vamos para as respostas bíblicas:

1. Cristo disse aos seus discípulos que o trabalhador é digno do seu sustento.

"Vão! Eu os estou enviando como cordeiros entre lobos. Não levem bolsa nem saco de viagem nem sandálias; e não saúdem ninguém pelo caminho. Quando entrarem numa casa, digam primeiro: ‘Paz a esta casa’. Se houver ali um homem de paz, a paz de vocês repousará sobre ele; se não, ela voltará para vocês. Fiquem naquela casa, e comam e bebam o que lhes derem, pois o trabalhador merece o seu salário. Não fiquem mudando de casa em casa. Quando entrarem numa cidade e forem bem recebidos, comam o que for posto diante de vocês". Lucas 10:3-8

Cristo ordenou que os seus discípulos comessem e bebessem o que as pessoas dessem, isto seria o salário deles.

Ele não disse que os seus discípulos deveriam trabalhar fora para se manter, pelo contrário. Ele diz que quem ouve o Evangelho deve dar de comer e beber para quem prega o Evangelho.

2. Cristo era sustentado pelos bens de mulheres que foram agraciadas por ele.

"Depois disso Jesus ia passando pelas cidades e povoados proclamando as boas novas do Reino de Deus. Os Doze estavam com ele, e também algumas mulheres que haviam sido curadas de espíritos malignos e doenças: Maria, chamada Madalena, de quem haviam saído sete demônios; Joana, mulher de Cuza, administrador da casa de Herodes; Susana e muitas outras. Essas mulheres ajudavam a sustentá-los com os seus bens. 
Lucas 8:1-3

O próprio Cristo era sustentado por mulheres. Este era o seu salário.

3. Paulo ensinou que todo pregador tem direito a ter o seu sustento.

"Não temos nós o direito de comer e beber? Não temos nós o direito de levar conosco uma esposa crente como fazem os outros apóstolos, os irmãos do Senhor e Pedro?
Ou será que apenas eu e Barnabé não temos o direito de deixar de trabalhar para termos sustento? Quem serve como soldado às suas próprias custas? Quem planta uma vinha e não come do seu fruto? Quem apascenta um rebanho e não bebe do seu leite? Não digo isso do ponto de vista meramente humano; a Lei não diz a mesma coisa? Pois está escrito na Lei de Moisés: "Não amordace o boi enquanto ele estiver debulhando o cereal". Por acaso é com bois que Deus está preocupado? Não é certamente por nossa causa que ele o diz? Sim, isso foi escrito em nosso favor. Porque "o lavrador quando ara e o debulhador quando debulha, devem fazê-lo na esperança de participar da colheita".
Se entre vocês semeamos coisas espirituais, seria demais colhermos de vocês coisas materiais? Se outros têm direito de ser sustentados por vocês, não o temos nós ainda mais? Mas nós nunca usamos desse direito. Pelo contrário, suportamos tudo para não colocar obstáculo algum ao evangelho de Cristo. Vocês não sabem que aqueles que trabalham no templo alimentam-se das coisas do templo, e que os que servem diante do altar participam do que é oferecido no altar? Da mesma forma o Senhor ordenou àqueles que pregam o evangelho, que vivam do evangelho. Mas eu não tenho usado de nenhum desses direitos. Não estou escrevendo na esperança de que vocês façam isso por mim. Prefiro morrer a permitir que alguém me prive deste meu orgulho. 1 Coríntios 9:4-15

Paulo abriu mão do seu direito de ser sustentado pela igreja de Corinto, mas não obrigou os outros a fazerem o mesmo, pelo contrário, ele ensinou que salário é direito de todo trabalhador, inclusive do pregador.

4. Paulo ordenou que o discípulo deve partilhar todas as coisas boas com o seu mestre.

"O que está sendo instruído na palavra partilhe todas as coisas boas com quem o instrui". 
Gálatas 6:6

Tudo que desfrutamos de bom na vida, devemos partilhar com os nossos mestres espirituais.

5. Paulo precisou ser sustentado pela igreja de Filipos.

"Apesar disso, vocês fizeram bem em participar de minhas tribulações. Como vocês sabem, filipenses, nos seus primeiros dias no evangelho, quando parti da Macedônia, nenhuma igreja partilhou comigo no que se refere a dar e receber, exceto vocês; pois, estando eu em Tessalônica, vocês me mandaram ajuda, não apenas uma vez, mas duas, quando tive necessidade. Não que eu esteja procurando ofertas, mas o que pode ser creditado na conta de vocês. Recebi tudo, e o que tenho é mais que suficiente. Estou amplamente suprido, agora que recebi de Epafrodito os donativos que vocês enviaram. Elas são uma oferta de aroma suave, um sacrifício aceitável e agradável a Deus. O meu Deus suprirá todas as necessidades de vocês, de acordo com as suas gloriosas riquezas em Cristo Jesus. Filipenses 4:14-19

A famosa promessa de (Fp. 4.19) foi dada a única igreja que sustentou o apóstolo Paulo quando ele estava passando necessidade.
Este texto nos ensina que quem sustenta homens de Deus será sustentado por Deus.

6. Paulo ensinou que pastores que lideram bem a igreja e que se dedicam ao ensino e a pregação devem receber salário dobrado.

"Os presbíteros que lideram bem a igreja são dignos de dupla honra, especialmente aqueles cujo trabalho é a pregação e o ensino, pois a Escritura diz: 'Não amordace o boi enquanto está debulhando o cereal', e 'o trabalhador merece o seu salário' ". 1 Timóteo 5:17-18

De acordo com a Escritura, pastor que é excelente líder, mestre e pregador deve ganhar em dobro.

Fiz questão de colocar o contexto bíblico para que ninguém tenha dúvidas que o pastor que trabalha liderando, ensinando e pregando tem DIREITO ao seu sustento, ou seja, SALÁRIO.

Se alguém discorda dessas verdades, está discordando de Deus, de Cristo, dos Apóstolos e da Bíblia, pois foi Deus quem disse: "Não amordace o boi enquanto ele estiver debulhando o cereal". Por acaso é com bois que Deus está preocupado? Não é certamente por nossa causa que ele o diz? Sim, isso foi escrito em nosso favor. 1 Coríntios 9:9-10. Cristo disse: "... àqueles que pregam o evangelho, que vivam do evangelho". 1 Coríntios 9:14. Paulo disse: "Os presbíteros que lideram bem a igreja são dignos de dupla honra, especialmente aqueles cujo trabalho é a pregação e o ensino..." 1 Timóteo 5:17.

Alguém trabalha de graça? Claro que não. Então por que só o pastor tem que trabalhar de graça?

Agora eu pergunto: Qual deve ser o salário de um homem que deixa o seu trabalho para ser pastor integralmente na igreja e tem uma esposa para cuidar e filhos para sustentar?

Quanto deve ser o salário de um pastor que dedica mais o seu tempo com a igreja do que com a sua família, que aconselha, prega, ensina, batiza, faz casamento e velório, reconcilia casais, que é traído, caluniado, criticado, perseguido, injustiçado, humilhado, ofendido, rejeitado e desprezado por pessoas de dentro e fora da igreja, que zela pela sua reputação, seu caráter e seu nome?

Termino dizendo o seguinte: 

Se você quer ter um pastor que cuide da sua vida, que ensine e pregue a Palavra de Deus, então você tem a obrigação de sustentá-lo.

Isto é bíblico, justo e coerente.

Agora, se você não quer sustentar um pastor, então não vá na igreja dele, não busque ajuda desse pastor, não participe dos cultos que ele realiza, não peça para ele fazer o seu casamento e batismo, não ouça as suas pregações e nem participe dos cursos que ele realiza. 

As pessoas querem ouvir uma boa mensagem, um bom conselho, um ótimo ensino, mas não querem sustentar o pastor.

Isto é ANTIBÍBLICO!

E antes de externar a sua opinião, vai ler a Bíblia primeiro, por favor!!!

Renato Corumbá.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Cristo morreu por todos?





Cristo morreu por todos!

Isto significa dizer que a salvação está ao alcance de todos!

Pelos seguintes motivos:

1. A iniquidade de todos caiu sobre Cristo.

"Todos nós, tal qual ovelhas, nos desviamos, cada um de nós se voltou para o seu próprio caminho; e o Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de todos nós". Isaías 53:6

A) Todos se desviaram.

B) Todos foram desobedientes.

2. Cristo carregou o pecado de muitos.

"Pois ele carregou o pecado de muitos, e intercedeu pelos transgressores". Isaías 53:12

Sobre este versículo Calvino disse: "Sou favorável à leitura comum, na qual vemos que Ele, sozinho, levou o castigo de muitos, porque sobre Ele estava depositada a culpa do mundo todo. É evidente, a partir de outras passagens e, especialmente a partir do quinto capítulo da epístola aos Romanos, a palavra muitos às vezes denota 'todos' ".

Fica claro, portanto, que até para Calvino "muitos" e "todos" significava todos, isto é, a humanidade.

3. Cristo tirou o pecado do mundo.

"No dia seguinte João viu Jesus aproximando-se e disse: "Vejam! É o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo"! João 1:29

A) O mundo aqui não é o universo.

B) O mundo aqui não é os eleitos.

C) O mundo aqui é a humanidade, pois é a humanidade que peca.


 4. Deus amou e agraciou o mundo.

"Porque Deus tanto amou o mundo que deu o seu Filho Unigênito, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna". João 3:16

A) Deus amou a humanidade.

B) Deus deu o seu Filho para a humanidade.

5. Cristo veio para salvar a humanidade.

"Se alguém ouve as minhas palavras, e não as guarda, eu não o julgo. Pois não vim para julgar o mundo, mas para salvá-lo". João 12:47

A) Cristo não veio para julgar o mundo.

B) Cristo veio para salvar o mundo.

6. Cristo morreu pelos ímpios.

"De fato, no devido tempo, quando ainda éramos fracos, Cristo morreu pelos ímpios". Romanos 5:6

A) Cristo morreu no devido tempo.

B) Cristo morreu quando ainda éramos fracos.

C) Cristo morreu pelos ímpios.

De acordo com as Escrituras todos pecaram (Rm. 3.23), logo todos são ímpios, consequentemente ele morreu por todos.


7. A justiça de Cristo resultou na justificação de todos.

"Consequentemente, assim como uma só transgressão resultou na condenação de todos os homens, assim também um só ato de justiça resultou na justificação que traz vida a todos os homens.Logo, assim como por meio da desobediência de um só homem muitos foram feitos pecadores, assim também, por meio da obediência de um único homem muitos serão feitos justos". Romanos 5:18-19

A) A transgressão de Adão trouxe condenação a todos.

B) A justiça de Cristo trouxe justificação a todos.

C) Todos foram condenados pela transgressão de Adão.

D) Todos serão justificados pela justiça de Cristo.

Evidentemente que a justificação é aplicada quando cremos (Rm. 5.1), mas é estendida a todos (Rm. 5.18, 19).

8. Deus reconciliou o mundo consigo por meio de Cristo.

"Tudo isso provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo e nos deu o ministério da reconciliação, ou seja, que Deus em Cristo estava reconciliando consigo o mundo, não lançando em conta os pecados dos homens, e nos confiou a mensagem da reconciliação". 2 Coríntios 5:18-19

A) A reconciliação com o mundo foi uma iniciativa divina. "Tudo isso provém de Deus".

B) A reconciliação com o mundo foi possível por meio de Cristo. "nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo".

C) A reconciliação com o mundo foi um propósito divino. "nos deu o ministério da reconciliação" e "nos confiou a mensagem da reconciliação".


9. Deus deseja que todos os homens sejam salvos.

"Isso é bom e agradável perante Deus, nosso Salvador, que deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade". 1 Timóteo 2:3-4

A) Paulo ordena a orar por todos os homens (1 Tm. 2.1).

B) Paulo afirma que Deus é nosso Salvador (1 Tm. 2.3).

C) Paulo revela que o desejo de Deus é salvar todos os homens (1 Tm. 2.4).

D) Paulo ensina que só há um mediador entre Deus e os homens (1 Tm. 2.5).

E) Paulo declara que Cristo se entregou como resgate por todos (1 Tm. 2.6). Razão pela qual Cristo é o mediador entre Deus e os homens, e porque Deus deseja salvar todos os homens.

Sobre este texto Charles Spurgeon disse: "Vejam como os nossos amigos calvinistas mais velhos tratam esta passagem: 'Todos os homens,' dizem eles, 'significa, alguns homens': como se o Espírito santo não pudesse ter dito 'alguns homens' caso a sua intenção tivesse mesmo sido esta. 'Todos os homens', dizem eles, significa 'todos os tipos de homens': como se o Senhor não pudesse ter dito 'todos os tipos de homens', se essa também fosse a sua real intenção. O Espírito Santo, por intermédio dos apóstolos, escreveu 'todos os homens', e, indubitavelmente, quis dizer 'todos os homens' ". ("CT" conforme citação feita por Iain Murray, SHC, 150).

Além disso, Spurgeon acrescentou:

"Eu acabei de ler a exposição de um doutor muito sagaz que explica o texto de forma
a dissuadir o seu real significado: ele coloca dentro do texto pólvora gramatical, e o explode para que, só então, possa explicá-lo. Ao ler esta exposição, pensei que, quem sabe, a passagem não ficaria melhor se dissesse claramente: “E, afinal de contas, quem
quer que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade?” (in ibid., 151).

E falando ainda sobre este texto ele disse: "Não sei como aquilo se enquadra com isto,” e ainda: “Prefiro cem vezes mais parecer inconsistente comigo mesmo, do que parecer inconsistente com a Palavra de Deus." (Fonte: “A Critical Text — C. H. Spurgeon on 1 T im o th y 2.3-4”, conform e citação feita por Iain Murray, Spurgeon vs. Hyper Calvinism: The Battlefor Gospel Preachwg, 150,154.)


10. Cristo pagou o preço da redenção por todos.

"Pois há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens: o homem Cristo Jesus,

o qual se entregou a si mesmo como resgate por todos. Esse foi o testemunho dado em seu próprio tempo". 1 Timóteo 2:5-6

A) Cristo foi entregue como redenção por todos.

B) Cristo pagou o preço pelos pecados de todos.


11. Deus é o Salvador de todos os homens.

"Se trabalhamos e lutamos é porque temos colocado a nossa esperança no Deus vivo, o Salvador de todos os homens, especialmente dos que creem". 1 Timóteo 4:10

A) A sua salvação é oferecida a todos. "O Salvador de todos os homens".

B) A sua salvação é desfrutada pelos que creem. "especialmente dos que creem".

12. Cristo experimentou a morte em favor de todos.

"Vemos, todavia, aquele que por um pouco foi feito menor do que os anjos, Jesus, coroado de honra e glória por ter sofrido a morte, para que, pela graça de Deus, em favor de todos, experimentasse a morte". Hebreus 2:9

A) Cristo morreu em favor de todos.

B) Cristo morreu em favor de todos pela graça de Deus.


13. Cristo é a propiciação pelos pecados de todos.

"Ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos pecados de todo o mundo". 1 João 2:2

A) O autor fala dos pecados dos crentes.

B) O autor fala dos pecados dos incrédulos.

Se os homens não distorcerem os textos bíblicos, não tirarem e nem acrescentarem coisa alguma dos textos, e respeitarem o contexto e a intenção do autor sagrado, certamente concluiremos que Cristo morreu por todos.

E para aqueles que abraçam uma corrente teológica e tentam mudar alguma ideia ou palavra do texto, vai aqui uma pequena lembrança: "Nada acrescentem às palavras que eu lhes ordeno e delas nada retirem, mas obedeçam aos mandamentos do Senhor, o Deus de vocês, que eu lhes ordeno". Deuteronômio 4:2

Somente a Escritura!

Renato Corumbá.

domingo, 6 de janeiro de 2013

Quem deveria ser o nosso pastor?




 
"As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem". (João 10:27).

Este texto sagrado traz para nós uma grande revelação diante da realidade que vivemos hoje. Infelizmente encontramos lobos (falsos líderes religiosos) destruindo ovelhas (vidas) e sendo seguidos por muitos, e verdadeiros pastores (verdadeiros líderes cristãos) que dão a vida pelas suas ovelhas (liderados), mas que são valorizados e seguidos por poucos.

Uma outra questão que vale a pena ser ventilado neste artigo, é o fato de muitos dizerem aos seus líderes: "meu pastor", todavia, não os seguem e nem os obedecem.

Depois de alguns anos de ministério, atinei para um fato incontestável, muitos não são influenciados pelos seus pastores, porque na verdade elas não são ovelhas desses pastores. Na realidade muitos acabam seguindo amigos, familiares, diáconos, e pessoas influentes na igreja, menos o pastor. Fato este lamentável, perigoso e antibíblico.

Por outro lado há casos de membros que se deixaram ser influenciados por indivíduos que detinham o título de "pastor", contudo, eram verdadeiros lobos. Por consequência disto, muitos ficaram decepcionados e concluíram que todos os pastores são iguais, conclusão esta radical, absurda e injusta. Devido as decepções, inúmeras pessoas decidiram não ser mais membro de nenhuma igreja, por imaginar que poderiam passar pelas mesmas experiências traumatizantes.

Apesar de tanto escândalo envolvendo pastores evangélicos, multidões seguindo lobos e sendo explorados pelos mesmos, e vidas sendo influenciadas por pessoas que não são pastores de verdade, a Escritura nos revela de forma clara e indubitável, aquele que deveria ser realmente o nosso pastor.

Portanto, sem mais dilação vamos permitir a Escritura responder a pergunta do tema deste artigo.

O texto sagrado acima reverbera as palavras de Cristo para um público que o pressionava a revelar a sua verdadeira identidade, ou seja, os judeus queriam saber se Jesus era realmente o Messias "Os judeus reuniram-se ao redor dele e perguntaram: 'Até quando nos deixará em suspense? Se é você o Cristo, diga-nos abertamente' ". (João 10:24). Resposta esta que Jesus já havia dado anteriormente, mas eles não acreditaram, "Jesus respondeu: "Eu já lhes disse, mas vocês não creem" (João 10:25). O interessante é que Jesus revela qual era a razão pela qual eles não creram nele, "mas vocês não creem, porque não são minhas ovelhas" (João 10:26). Após tal revelação ele diz: "As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem". (João 10:27). Em outras palavras o que Jesus estava dizendo era o seguinte: as minhas ovelhas confiam em mim e por isso elas ouvem e me seguem. Chego a esta conclusão pelo simples fato de Jesus dizer aos judeus "as minhas ovelhas ouvem a minha voz". É sabido que a ovelha ouve a voz do seu pastor pelas seguintes razões: 1. A ovelha conhece o seu pastor. 2 A ovelha convive com o seu pastor. 3. A ovelha é cuidada pelo seu pastor. 4. A ovelha é guiada pelo seu pastor.

Seguir o verdadeiro pastor é uma reação natural de uma ovelha que conhece o seu pastor e confia no mesmo.

Ciente dessas informações, podemos agora compreender baseado em princípios bíblicos que:

O nosso pastor deveria ser aquele que nos alimenta com Palavra de Deus, quer seja ensinando, pregando ou aconselhando, "Os presbíteros que lideram bem a igreja são dignos de dupla honra, especialmente aqueles cujo trabalho é a pregação e o ensino" (1 Timóteo 5:17). Aqui Paulo diz que presbíteros, ou seja, pastores que se ocupam na pregação e no ensino devem ser bem remunerados. Isto nos dá uma dica de que bons pastores se dedicam a pregação e ao ensino das Escrituras.

O nosso pastor deveria ser aquele que cuida de nós nas horas de aflições, "Pastoreiem o rebanho de Deus que está aos seus cuidados" (1 Pedro 5:2). Neste texto, Pedro exorta os presbíteros a pastorearem a igreja que está aos cuidado deles. Por conseguinte, podemos com isso entender que bons pastores cuidam das pessoas voluntariamente, quando estão aflitas diante de algum infortúnio. São aqueles que nos dão atenção, que nos aconselham, que se aproximam de nós e se colocam a nossa disposição para nos ajudar nos momentos mais difíceis da nossa vida, fazendo assim de boa vontade e com o propósito de nos servir, " Olhem por ele, não por obrigação, mas de livre vontade, como Deus quer. Não façam isso por ganância, mas com o desejo de servir". (1 Pedro 5:2).

O nosso pastor deveria ser aquele que serve de exemplo para nós, com o seu caráter, e sua conduta, "Não ajam como dominadores dos que lhes foram confiados, mas como exemplos para o rebanho". (1 Pedro 5:3). Pedro deixa bem claro neste texto que nenhum pastor, repito, nenhum pastor é dono de ovelha nenhuma. Nenhum pastor pode dominar uma pessoa ou obrigá-la a fazer alguma coisa. Pelo contrário, o bom pastor deve, sim, influenciar as suas ovelhas pelo seu exemplo.

O nosso pastor deveria ser aquele que recebeu o dom de pastor, " E ele designou alguns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas, e outros para pastores e mestres, com o fim de preparar os santos para a obra do ministério, para que o corpo de Cristo seja edificado..." (Efésios 4:11-12). O autor sagrado ensina que Cristo designou alguns para serem pastores. Isto quer dizer algumas coisas importantes: 1. Ninguém é pastor se autonomeando, e sim sendo nomeado por Cristo. 2. Ninguém é pastor apenas porque quis, e sim porque Cristo quis. 3. Ninguém é pastor porque prega bem, e sim porque cuida bem das pessoas pregando e ensinando corretamente a Escritura Sagrada, e se submetendo totalmente a mesma. 4. Ninguém é pastor porque tem afinidade com o pastor ou porque é filho do pastor, e sim porque foi realmente chamado e capacitado por Cristo.

O nosso pastor deveria ser aquele que reúne em si virtudes espirituais, "É necessário, pois, que o bispo seja irrepreensível, marido de uma só mulher, sóbrio, prudente, respeitável, hospitaleiro e apto para ensinar; não deve ser apegado ao vinho, nem violento, mas sim amável, pacífico e não apegado ao dinheiro. Ele deve governar bem sua própria família, tendo os filhos sujeitos a ele, com toda a dignidade. Pois, se alguém não sabe governar sua própria família, como poderá cuidar da igreja de Deus? Não pode ser recém-convertido, para que não se ensoberbeça e caia na mesma condenação em que caiu o diabo. Também deve ter boa reputação perante os de fora, para que não caia em descrédito nem na cilada do diabo". (1 Timóteo 3:2-7). Como podemos ver nitidamente neste texto, por incrível que pareça, um pastor de verdade é irrepreensível, monógamo, ou seja, marido de uma só mulher, (outras possíveis interpretações de "marido de uma só mulher": fiel à esposa e não divorciado), sóbrio, prudente, respeitável, hospitaleiro, mestre, moderado, manso, pacífico, generoso, influente, humilde e justo. Note, por favor, que um pastor é pastor pelo que ele é, e não apenas pelo que ele faz, nem pelo que ele tem e muito menos pelo número de membros que a igreja dele tem. Podemos conhecer homens que tem título de pastor e ter uma mega igreja e não ter nenhuma dessas virtudes. Aliás, o que não encontramos na maioria desses pastores de mega igrejas são as virtudes cristãs listadas neste texto. Salvo com raras exceções. E, se alguém duvida, basta apenas conviver ou negociar com os mesmos.

O nosso pastor deveria ser aquele que conhece a nossa vida espiritual, "As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem". (João 10:27). Jesus disse: "eu as conheço". Pastor de verdade é aquele que nos conhece pelo nome, que interage conosco, que conhece os nossos problemas, que conhece as nossas virtudes, mas também as nossas falhas, que nos batiza, nos instrui, nos abençoa, nos acompanha em todos os momentos da nossa vida. pastor de verdade é aquele que conhece a nossa vida e que pode nos dar um conselho certo e bíblico. Por fim, pastor de verdade é aquele que nos conhece o suficiente, e, por isso, conquista a nossa confiança.

O seu pastor prega e ensina a Palavra de Deus, cuida da sua vida espiritual, é um exemplo de cristão, possui o dom de pastor, apresenta as virtudes espirituais que o qualifica como tal e conhece a sua vida? Então você está em boas mãos. Você tem um verdadeiro pastor, um pastor bíblico.

A quem você confiou a sua alma? Por quem você está sendo influenciado na igreja?  A  quem você está ouvindo e seguindo?

Procure ser pastoreado por homens que tenham estas qualificações apresentadas pela Escritura Sagrada.

Que o Senhor te abençoe ricamente em nome de Cristo!

Renato Corumbá.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Existe Realmente Livre-arbítrio?


Existe realmente Livre-arbítrio?

A base histórica para o livre-arbítrio de Adão

Se alguém tem dúvidas de que o Livre-arbítrio era defendido pelos Pais da Igreja, segue abaixo os comentários dos mesmos.


"A origem do pecado a partir de uma decisão livre e autodeterminada de Adão (e de
 lúcifer, antes dele) tem sido uma marca do pensamento cristão desde os primórdios da igreja. As citações a seguir são uma amostragem com objetivo de ilustrar este tópico".

Justino Mártir (c. 100-c. 165d.C.)

Deus, desejando que tanto homens quanto anjos seguissem a sua vontade, resolveu criados livres para fazer a justiça. Mas se a Palavra de Deus prediz que certos anjos e certos homens serão certamente castigados, ela fez isso porque sabia previamente que eles seriam irremediavelmente [ímpios], mas não por terem sido criados assim. (DJ, 1.142)

Irineu (c. 125-c. 202 D.C.)

Esta expressão: “Quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintos debaixo das asas, e tu não quiseste!” (MT 23.37), lançou as bases da antiga lei da liberdade humana, porque Deus fez o homem (agente) livre desde o principio, possuindo uma alma própria para obedecer aos mandamentos de Deus de maneira voluntaria, e não por compulsão da parte de Deus. Pois não existe nenhum tipo de coação em Deus, somente uma boa vontade [para conosco] esta presente continuamente nele. (AH, 1.4.36.8)

Atenágoras (falecido no século II)

Tal qual acontece com os homens que tem liberdade de escolha tanto para a virtude,
 quanto para o vicio (pois não honraríamos o bem, nem castigaríamos o mal; se estas duas coisas não fossem do nosso domínio, e alguns são diligentes nas questões que lhes são confiadas, já outros infiéis), o mesmo se da com os anjos. (PC, 11.24).

Teófilo (c. 130-190d.C.)

Pois Deus criou o homem livre, e com poder sobre si mesmo [...] Deus agora lhe concede como dom, por intermédio da sua própria filantropia e piedade, quando o homem lhe obedece. Pois da mesma forma que o homem trouxe a morte sobre si mesmo ao desobedecer a vontade de Deus, aquele que desejar pode alcançar para si a vida eterna.
 (TA, 11.27)

Táciano (120-173 D.C.)

O nosso livre-arbítrio nos destruiu; nos que éramos livres acabamos por nos tornar
 escravos; fomos vendidos por intermédio do pecado. Nada de mal foi criado por Deus;
 nos mesmos manifestamos a impiedade; mas nos, que a manifestamos, também somos capazes de rejeita-la. (ATG, 11.11)

Bardesanes (c. 154-222 d.C.)

Por que será que Deus não nos fez sem a possibilidade de pecar e cair em condenação?
 Se o homem tivesse sido assim criado, ele não teria pertencido a si mesmo, mas o seu
 instrumento e que o movimentaria [...] E como, neste caso, um homem se diferenciaria De uma harpa, que e tocada por outra pessoa; ou de um navio, que também e guiado por outra pessoa: nos quais os elogios ou a culpa residem nas mãos do musico ou do timoneiro [...] sendo que estas coisas não passam de instrumentos feitos para o uso daqueles que tem a habilidade de utiliza-los? (E, VII)

Clemente de Alexandria ( 150-c. 215 d. C.)

Nos que ouvimos pelas Sagradas Escrituras que a escolha autodeterminada e a
 recusa foram dadas pelo Senhor aos homens, descansamos no critério infalível da Fe,
 manifestando um espírito desejoso, já que escolhemos a vida e cremos em Deus por
 intermédio da sua voz. (S, II.2.4)

Tertuliano (c. 155-c. 225 d. C.)

Percebo, portanto, que o homem foi constituído livre por Deus, senhor da sua própria
 vontade e poder; sendo que nada indica tão bem a presença da imagem e semelhança de Deus nele, quanto este traço de constituição da sua natureza [...] Portanto, tanto a bondade quanto o proposito de Deus são descobertos no dom recebido da liberdade da sua vontade. (FBAM, III.2.5)

Novaciano (c. 200-c. 258 d: C.)

Ele também colocou o homem como o cabeça deste mundo, e o homem, igualmente,
 feito a imagem de Deus, a quem ele comunicou a mente, a razão e a antevisão, de forma que ele pudesse imitar a Deus [...] E quando ele deu a ele todas as coisas para o seu serviço, Ele desejou que somente ele fosse livre. E, repito, para que uma liberdade assim ilimitada não fosse ameaçada, Ele passou um mandamento, no qual o homem foi instruído que não havia mal algum no fruto da arvore; porem foi previamente alertado de que o mal surgiria se o homem insistisse em exercer a sua livre-escolha em conflito com a lei que lhe fora passada. (CT, V.l)

Orígenes (c. 185-c. 254 d.C.)

Isto também esta claramente definido nos ensinamentos da igreja: que toda alma
 racional possui livre-arbítrio e volição (DP, IV, prefacio). “Existem, na verdade, inúmeras passagens nas Sagradas Escrituras que estabelecem com excessiva clareza a existência da liberdade da vontade, (ibid., IV.3.1)

Metódio (c. 260-311 d.C.)

Agora aqueles que decidem que o homem não possui livre-arbítrio e afirmam que
 ele e governado pelas necessidades inevitáveis do destino [...] são culpados de impiedade para com o próprio Deus, fazendo dele o causador e o autor dos males humanos. (BTV, VI.8.16)

Declaro que o homem foi criado com livre-arbítrio, não no sentido de que já houvesse
 algum tipo de mal, sobre o qual ele teria o poder de decidir ou não a sua aceitação [...] mas no sentido de um poder de obedecer e desobedecer a Deus como a única causa. (CFW, 362)

Cirilo de Jerusalém (c. 315-C.387 d.C.)

Sabe também que tu tens uma alma autogovernada, a mais nobre das obras de Deus, feita segundo a imagem do seu Criador, imortal por causa do Deus que da a imortalidade, um ser vivo racional e imperecível, por causa daquele que concedeu estes dons: com livre poder para fazer o que ela quiser. (CL, II.VII.IV.18)

Gregário de Nissa (c. 335-c. 395 d. C.)

Como imagem e semelhança [...] do Poder que governa sobre todas as coisas, o
 homem guardou também no tema do livre-arbítrio esta semelhança com aquele cuja
 vontade e sobre tudo. (OV, II. V. 12)

Jerônimo (c. 340-420 d. C.)

Em vão me deturpas e tentas convencer os ignorantes que eu condeno o livre-arbítrio.
 Que aquele que condena, seja por si mesmo condenado, pois fomos criados com o dom
 do livre-arbítrio [...] E verdade que a liberdade da vontade traz consigo a liberdade de
 decisão. Contudo o homem não age imediatamente a partir do seu livre-arbítrio, mas
 precisa da ajuda de Deus, que e o único que não precisa ser ajudado. (LSJ, II.VI. 1.33.10)

João Crisóstomo (347-407 d. C.)

Deus, por ter colocado tanto o bem, quanto o mal sob o nosso poder, nos deu plena
 liberdade de escolha; ele não segura para si ninguém contra a sua vontade, mas abraça todos os que voluntariamente o recebem. (HG, 19.1)

Tudo esta debaixo do poder de Deus, mas de forma que o nosso livre-arbítrio não é perdido [...] Ele depende, portanto, de nos e dele. Precisamos primeiramente escolher o bem, e Ele, depois, acrescenta o que a Ele pertence. Ele não se sobrepõe a nossa vontade, para que o nosso livre-arbítrio não seja ofendido. Mas quando tomamos a decisão, ele nos presta um grande auxílio [...] É nossa parte o escolher previamente e o desejar, e é parte de Deus o aperfeiçoar e o completar a obra.

Agostinho Anterior (354-430 d. C.)

O livre-arbítrio, naturalmente concedido pelo Criador a nossa alma racional, é uma forca tão neutra, que pode tanto se inclinar em direção a Fé, quanto a incredulidade (OSL, 58).
 Na verdade, o pecado e de tal maneira um mal voluntario, que não seria pecado caso não fosse voluntario. (OTR, 14) Ou, então, apropria vontade e a primeira causa do pecado, ou a primeira causa e sem pecado. (OGFW, 3.49)

Agostinho, ainda, acrescentou:

O pecado não esta em lugar algum que não seja a vontade, e como esta consideração
 também teria me ajudado, que a justiça considera culpados aqueles que pecam somente
 por vontade maligna, apesar deles não terem conseguido realizar o que desejavam.
 (TSAM, 10.12)

Todo aquele que, também, faz algo contra a sua vontade e forcado a fazer isto, e todo
 aquele que e forcado, se fizer algo, o faz contra a sua vontade. Conclui-se que todo aquele que tem vontade de fazer algo, esta livre de qualquer coação, mesmo que se possa pensar que ele e forcado a fazer tal coisa, (ibid., 10.14)

Anselmo (1033-1109d.C.)

Ninguém abandona a retidão se não desejar fazer isto. Se “contrario a nossa vontade”
 significar “não querer fazer,” então ninguém abandona a retidão contra a sua própria
 vontade [...] Mas um homem não pode desejar contra o seu desejo porque não pode desejar sem querer desejar. Por todo aquele que deseja, o faz por vontade própria. (TFE, 130)

Apesar deles [Adão e Eva] terem se entregado a si mesmos ao pecado, eles não conseguiram abolir neles mesmos a sua liberdade natural de escolha. Todavia, eles poderiam alterar o seu estado de tal maneira que não foram capazes de utilizar esta liberdade, salvo por uma graça diferente daquela que tinham antes da Queda, (ibid., 125)

Não devemos dizer que eles [Adão e Eva] tinham liberdade para o propósito de receber,
 de uma parte que lhes concedesse, a retidão que não possuíam, porque precisamos crer
 que eles foram criados com vontades retas — apesar de não podermos negar que eles
 tinham a liberdade de receber novamente esta mesma retidão, caso viessem a abandona La e a recebessem novamente daquele que originalmente a concedeu, (ibid., 126)

Não percebes que a partir destas considerações se conclui que nenhuma tentação e capaz de conquistar uma vontade reta? Pois, se a tentação pudesse conquistar a vontade, seria pelo seu próprio poder de conquista-la. Só que a tentação e incapaz disso, porque a vontade somente pode ser subjugada pelo seu próprio poder, (ibid., 132)

Tomás de Aquino (1225-1274 d.C.)

A necessidade vem do agente quando este ultimo coage de tal forma algo que este algo não lhe pode mais contrariar [...] Tal necessidade por coação e contraria a vontade. [Assim,] uma coisa não pode ser absolutamente coagida ou imposta com violência e, simultaneamente ser voluntaria [...] Consequentemente o homem toma decisões de forma não necessária, mas de forma livre, (in Clark, AR, 291-92)

Portanto, o homem tem liberdade de escolha, de outro modo, todos os conselhos, exortações, preceitos, proibições, recompensas e castigos seriam sem sentido.
 Consequentemente, uma livre decisão deixa intacto o poder de ser capaz de optar por
 outro caminho, (ibid., 259)

Com exceção do Agostinho “posterior”, esta visão de livre-arbítrio autodeterminado foi, praticamente, a visão unanime dos Pais Eclesiásticos ate o tempo da Reforma e, com exceção de Calvino e Lutero, ela continuou sendo a visão consistente desde a época da
 Reforma.

OBS:

João Calvino (1509-1564)

Opôs-se conscientemente a Crisóstomo e ao restante dos Pais da Igreja ao declarar: “Precisamos, portanto, repudiar o sentimento de Crisóstomo comumente repetido de que ‘Aqueles que ele atrai, o faz a partir da vontade deles’; o qual insinua que o Senhor somente estende a sua mão, e aguarda para ver se estaremos felizes em aceitar a sua ajuda. Admitimos que, da forma como foi originalmente constituído, o homem poderia ter se inclinado para ambos os lados, mas com o ele nos ensinou, por seu exemplo, quão miserável é o livre-arbítrio quando Deus não opera em nós o desejo de fazer algo, que utilidade teria um a graça comunicada em medida tão ínfima?” (ÍCR, 1.2.3.10,260-61, grifo acrescentado).

CONCLUSÃO

A origem do mal é um problema para qualquer cosmovisão, mas este problema se
 torna particularmente agudo no Teísmo, pois este precisa explicar como o mal surgiu, se
 tudo o que Deus criou era perfeitamente bom. A resposta esta em um dos dons divinos:
 o livre-arbítrio. Apesar de a liberdade ser boa em si mesma, ela também proporcionou o
 potencial para fazermos o mal. Assim, o livre-arbítrio tornou possível o mal.

Porém, apesar de Deus ser responsável pela liberdade (o qual tornou possível o surgimento do mal), as criaturas livres são, por si mesmas (por exemplo, Lúcifer e Adão), responsáveis pelos seus atos de liberdade (os quais tornam o mal algo real). Deus deu a elas o poder de escolher, e em vez de escolher obedecer a Deus e seguir o bem, elas desobedeceram e utilizaram a liberdade de escolha para dar vazão ao pecado. Como vemos, o mal surgiu do livre-arbítrio das boas criaturas que Deus havia criado.

Fonte: Teologia Sistemática de Norman Geisler Volume 2 (pag. 77-81)

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

O mundo dentro da igreja e o evangelho fora do mundo



O mundo está entrando na igreja, mas o evangelho não está entrando nas pessoas do mundo. Digo isso porque:

Eu vejo as festas entrarem na igreja, mas não vejo o evangelho entrar nos festeiros.
Eu vejo ringues entrarem na igreja, mas não vejo o evangelho entrar nos lutadores.
Eu vejo o secularismo entrar na igreja, mas não vejo o evangelho entrar nos secularistas.
Eu vejo a política entrar na igreja, mas não vejo o evangelho entrar nos políticos.
Eu vejo o materialismo entrar na igreja, mas não vejo o evangelho entrar nos materialistas.
Eu vejo o antropocentrismo entrar na igreja, mas não vejo o evangelho entrar nos antropocentristas.
Eu vejo o judaísmo entrar na igreja, mas não vejo o evangelho entrar nos judaizantes.
Eu vejo o farizaímos entrar na igreja, mas não vejo o evangelho entrar nos farizeus.
Eu vejo o corporativismo entrar na igreja, mas não vejo o evangelho entar nos corporativistas.
Eu vejo o preconceito entrar na igreja, mas não vejo o evangelho entrar nos preconceituosos.
Eu vejo os lobos entrarem na igreja, mas não vejo o evangelho entrar nos lobos.
Eu vejo os pecadores entrarem na igreja, mas não vejo o evangelho entrar nos pecadores.

Chego a esta conclusão porque simplesmente onde o evangelho entra ele transforma.
O evangelho transforma os festeiros em adoradores, os lutadores em apoiadores, os secularistas em piedosos, os políticos em pregadores, os materialistas em generosos, os antropocentristas em teocêntricos, o judaízantes em cristãos, os farizeus em devotos, os corporativistas em anticorporativistas, os preconceituosos em misericordiosos, os lobos em ovelhas e os pecodores em santos.

Quando eu vejo uma pessoa regenerada, nascida de novo, eu vejo claramente que o evagelho entrou nesta pessoa.

"Não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê: primeiro do judeu, depois do grego".
Romanos 1:16

"...quando vocês ouviram e creram na palavra da verdade, o evangelho que os salvou, vocês foram selados com o Espírito Santo da promessa...". 

Efésios 1:13

Não existe nada que possa substituir o Evangelho, ele é o poder de Deus para a salvação.

Estamos vendo o evangelho sendo substituído por entretenimento na igreja, entretenimento este que não transforma ninguém, mas ilude a muitos.

Quer salvar e transformar vidas? PREGUE O EVANGELHO!
Jesus ordenou PREGAR O EVANGELHO!
As pessoas precisam OUVIR O EVANGELHO!


Renato Corumbá.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Por que as pessoas saem de suas igrejas?



O número de desviados.

Estima-se que, atualmente, existem entre 30 e 40 milhões de desviados em todo o país. Comparando-se com os dados do último censo populacional, que revelou a existência de cerca de 27,2 milhões de evangélicos, a quantidade de “ovelhas perdidas” é maior do que a igreja oficial. Se esses ex-irmãos que foram evangelizados, discipulados e participaram de cultos permanecessem, a igreja brasileira seria de aproximadamente 70 milhões de crentes, ou seja, quase a metade da população, que é de 180 milhões. Antes de ser vista como uma “ameaça”, a existência desse enorme contingente deve ser compreendida por líderes de todo o Brasil – como um sinal de alerta de que algo não vai bem.

A definição de apostasia.

A Bíblia fala sobre a apostasia (2 Ts. 2.3). Segundo os estudiosos e interpretes das Escrituras, o significado de “apostasia” no original é incerto. Entretanto, podemos ter uma compreensão melhor desse termo pelo contexto. Esta palavra vem do grego “apostasia” que significa: "abandono", “afastamento”, “separação”, “rebelião” no sentido religioso, “rejeição” a fé cristã e “deserção” do cristianismo.

Esta palavra é usada para indicar alguém que:

A.   Abandonou deliberadamente a crença na fé cristã ou em qualquer fé, anteriormente                  defendida.
B.    Abandonou os princípios básicos do cristianismo.
C.    Rompeu qualquer vínculo sério com Deus e com Cristo.
D.    Outorgou a sua alma a alguma causa maligna.

Os motivos da apostasia.

A Bíblia diz que a apostasia culminará antes da vinda de Cristo (2 Ts. 2.3).
Uma vez que entendemos o essencial sobre a apostasia, adentremos agora no assunto e vamos ver pelas Escrituras e pelos fatos, os motivos pelos quais muitos estão saindo de suas igrejas.
A Bíblia nos revela que:

1.    As pessoas saem de suas igrejas porque:

A.    Os seus corações duros, apesar de ouvirem a Palavra não a entenderam e por isso o diabo rouba a Palavra (Mt. 13.19). Muitos saíram de suas igrejas porque não entenderam o que ouviram durante todo o tempo que estiveram em suas igrejas. O texto é claro em nos dizer que a razão que leva alguém a não corresponder com a Escritura é um coração duro que não permite a Palavra de Deus penetrar no seu interior.
B.    Os seus corações são superficiais, apesar de ouvirem a Palavra e a receberem imediatamente com alegria, não resistem às provações da vida (Mt. 13.20,21). Muitos estão deixando de congregar porque a Palavra de Deus não foi enraizada em suas vidas, e quando se deparam com os problemas da vida não resistem e concluem que é melhor abandonar.
C.    Os seus corações são divididos, apesar de ouvirem a Palavra, o secularismo, isto é, as preocupações com as coisas deste mundo e a ambição sufocam a Palavra falando mais alto em suas mentes (Mt. 13.22). Quantos deixaram de frequentar as suas igrejas porque voltaram à atenção apenas para questões deste mundo e ficaram fascinados com os benefícios ilusórios das riquezas?

2.    As pessoas saem de suas igrejas porque foram enganadas por falsos mestres.

A.    Que espalham ideias contraditórias (1 Tm. 6.21).
B.    Que difundem um falso conhecimento (1 Tm. 6.21).
C.    Que promovem conversas inúteis e profanas (2 Tm. 2.16-18; 1 Tm. 6.21).

3.    As pessoas saem de suas igrejas porque foram gananciosas.

A.    Querendo ficar rico (1 Tm. 6.9)
B.    Amando o dinheiro (1 Tm. 6.10).
C.    Cobiçando o dinheiro ( 1 Tm. 6.10).

4.    As pessoas saem de suas igrejas porque foram incrédulas.

A.    Afastando-se do Deus vivo (Hb. 3.12).
B.    Sendo enganadas pelo pecado (incredulidade) ( (Hb. 3.13).

5.    As pessoas saem de suas igrejas porque foram influenciadas pelo diabo.

A.    Cedendo aos desejos sexuais (1 Tm. 5.11).
B.    Vivendo ociosamente (1 Tm. 5.13)
C.    Falando coisas que não devem (1 Tm. 5.13,14).
D.    Fazendo a vontade do diabo (1 Tm. 5.15).

6.    As pessoas saem de suas igrejas porque seguiram os seus desejos.

A.    Por não suportarem a sã doutrina (2 Tm. 4.2).
B.    Por sentirem um grande incomodo ao ouvirem a verdade (2 Tm. 4.2).
C.    Juntando mestres para si mesmos (2 Tm.2.4).
D.    Recusando-se ouvir a verdade (2 Tm. 2.5).
E.    Voltando-se para os mitos (2 Tm. 2.5).

7.    As pessoas saem de suas igrejas porque não eram crentes de verdade.

A.    Nunca foram cristãs (1 Jo. 2.19).
B.    Nunca pertenceram à igreja (1 Jo. 2.19).
C.    Nunca foram igreja (1 Jo. 2.19).


Além da Escritura, alguns fatos nos revelam outras razões que levam muitos a saírem de suas igrejas.

1.    As pessoas saíram de suas igrejas porque encontraram sérios problemas na liderança da igreja, por exemplo:

A.    Descobriram que seus pastores pregavam heresias.
B.    Souberam que os seus líderes não estavam vivendo segundo os princípios da Escritura.
C.    Decidiram não ser coniventes com os pecados da liderança e da denominação.
D.    Perceberam que a liderança da igreja estava aplicando os dízimos e as ofertas de forma indevida.
E.    Rejeitaram a politicagem que envolviam os líderes de suas denominações.
F.    Não suportaram o corporativismo, a politicagem, a parcialidade e o mundanismo na liderança de suas igrejas.
G.    Eram sérias, mas estavam sendo pastoreadas por líderes liberais, legalistas, místicos, políticos e mundanos.
H.    Rejeitaram o novo pastor porque era antibíblico demais.
I.      Rejeitaram uma nova metodologia sem fundamento bíblico imposta pela liderança da igreja.
J.     Discordaram de atitudes antibíblicas que a liderança tomou.

2.    As pessoas saíram de suas igrejas porque foram membros problemáticos em suas igrejas.

A.    Rejeitaram a disciplina imposta pela liderança da igreja quando pecaram ou quando permaneceram no pecado.
B.    Discordaram da pregação, do ensino e do serviço do pastor, mesmo este estando embasado na Escritura.
C.    Eram liberais, legalistas, místicas, políticas e estavam numa igreja séria.
D.    Discordaram da teologia, metodologia e filosofia ministerial do pastor.
E.    Eram carnais e estavam numa igreja espiritual.
F.    Quiseram impor as suas vontades na igreja.
G.    Tentaram levar o entretenimento do mundo para dentro da igreja, quando as suas igrejas queriam levar o Reino de Deus para dentro do mundo.
H.    Rejeitaram o novo pastor da igreja porque ele era bíblico demais.
I.      Não nasceram de novo, não se converteram, não foram transformadas.
J.     Deixaram de gostar do que gostavam antes, da mensagem, dos cultos, dos pastores, da organização, dos horários dos cultos e etc.
K.    Não gostaram de ser confrontadas pelo pastor quando comentaram erros em suas igrejas.
L.     Queriam privilégios e preferências.
M.   Desrespeitaram as normas internas das suas igrejas.
N.    Ouviram do pastor o que não queriam ouvir, embora o pastor tenha falado a verdade e o que elas precisavam ouvir.

3.    As pessoas saíram de suas igrejas porque foram influenciadas por terceiros.

A.    Receberam uma proposta quase que irrecusável de um lobo (falso pastor), para trabalhar na igreja dele.
B.    Foram influenciadas pelos insatisfeitos, dissimuladores, divisores e hereges que não concordavam com nada na igreja, mas permanecem na mesma, quando eles mesmos deveriam ser os primeiros a saírem de suas igrejas.
C.    Preferiram dar ouvidos aos membros, e não ao pastor das suas igrejas, que tem uma vida santa, que prega a Escritura, que ora, aconselha, visita e socorre as suas ovelhas.
D.    Foram influenciadas por amigos e familiares que saíram das suas igrejas, e não porque foi a vontade de Deus.
E.    Receberam um convite para fazer parte de uma nova igreja, porque lá elas teriam mais oportunidades de fazer o que elas queriam.
F.    Acompanharam a maioria que estavam indo para uma outra igreja, sem avaliar se aquela igreja estava seguindo os princípios das Escrituras.
G.    Seguiram o novo pastor que está na mídia apesar dele ser um tremendo lobo.
H.    Começaram a ter novamente comunhão com os incrédulos.
I.      Namoraram pessoas não crentes.
J.     Não resistiram as perseguições dos familiares e incrédulos.
K.    Não quiseram desagradar amigos, familiares e parentes.

Certamente existem inúmeros fatores que levam as pessoas a saírem de suas igrejas. Entretanto, procurei apresentar os principais que pude presenciar e saber durante o tempo que tenho de cristão.

Eu creio como João ensina em (1 Jo.2.19) que as pessoas deixam os crentes (igreja) porque não eram crentes, as pessoas continuam com os crentes (igreja) porque são de fato crentes. Como também creio que existem pessoas que deixaram as suas igrejas porque abriram mão da sua fé voluntariamente (Hb. 10.25).

CRENTES PERMANECEM COM CRENTES.


Renato Corumbá.